Se você der uma rolada no seu feed do Instagram ou do Pinterest agora mesmo, aposto que vai ver um monte de salas de estar maravilhosas, lotadas de plantas.
O estilo Urban Jungle (selva urbana) dominou a decoração nos últimos anos, e eu sou a primeira pessoa a celebrar que as pessoas estão querendo a natureza mais perto! Mas eu quero te convidar a olhar para essas fotos com uma lente um pouquinho mais crítica (e muito mais brasileira).
Geralmente, o que vemos nessas “selvas” de apartamento é um mar de Costela-de-adão (do México), Jiboia (das Ilhas Salomão), Ficus-lyrata (da África) e Zamioculca (da Tanzânia).
É lindo? Sim! Mas cadê o Brasil nessa selva?
Hoje nós vamos falar sobre um movimento de paisagismo e decoração que tem ganhado os corações ecológicos: a Brasilidade Botânica. Prepara o café e vem entender como transformar a sua sala num verdadeiro oásis de propósito e identidade.
O que é a Brasilidade Botânica?
A Brasilidade Botânica não é apenas uma tendência de decoração, é um resgate cultural. É o ato consciente de escolher preencher os nossos espaços internos e externos com as plantas que evoluíram aqui, nos nossos próprios biomas (Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal).
Durante séculos de colonização, fomos ensinados a ter um “complexo de vira-lata” botânico. Acreditávamos que o jardim chique era o jardim europeu, com rosas, buxinhos podados redondinhos e pinheiros.
Depois, a moda passou a ser importar folhagens asiáticas e africanas. Nós transformamos as plantas em mercadorias globais e esquecemos de olhar para o chão que a gente pisa.
Adotar a Brasilidade Botânica é descolonizar a nossa estética. É entender que uma folha de Pacová ou a estampa psicodélica de um Tinhorão são obras de arte exclusivas da nossa terra, e merecem o lugar de destaque no centro da nossa sala de estar.
5 estrelas nativas para a sua sala de estar
Se você quer começar a substituir (ou misturar) a sua selva gringa com verdadeiras joias brasileiras que sobrevivem super bem na sombra e meia-sombra dentro de casa, aqui vão 5 estrelas dos nossos biomas brasileiros:
1. Marantas e Calateias (As rezadeiras)
Elas trazem cor, estampa e movimento! As Marantas (como a Maranta-cinza, a Maranta-riscada e a Calateia-melancia) têm folhas com desenhos que parecem pintados à mão. E o mais mágico: à noite, elas levantam as folhas como se estivessem rezando.
- Onde colocar: São plantas de sub-bosque da Mata Atlântica e Amazônia, então amam luz filtrada (nunca sol direto) e umidade. Perfeitas para aquele canto iluminado da sala ou até no banheiro!
2. Pacová (Philodendron martianum)
O Pacová já é mais o estilo de quem busca estrutura e imponência. A palavra pacová vem do Tupi-Guarani e quer dizer “folha grande”.
Com suas hastes gordinhas (que guardam água) e folhas largas, brilhantes e firmes, o Pacová é o substituto perfeito para quem ama o volume de uma Zamioculca ou de uma Costela-de-adão, mas quer uma planta 100% nativa da Mata Atlântica.
- Onde colocar: Fica espetacular em vasos grandes de chão, na meia-sombra.
3. Peperômia-melancia (Peperomia argyreia)
Pensa numa delicadeza tropical que também vem direto da Mata Atlântica: suas folhas arredondadas e prateadas imitam a casca de uma melancia em miniatura.
- Onde colocar: É a rainha das prateleiras e estantes. Como é uma planta pequenininha, fica um charme pendurada ou decorando a mesa de centro.
4. Antúrio-ninho-de-passarinho (Anthurium coriaceum)
Esqueça as flores vermelhas, o charme deste Antúrio nativo está nas suas folhas imensas, grossas e longas, que nascem do centro formando uma espécie de “ninho”.
E justamente por isso que essa planta acaba sendo uma opção mais selvagem e escultural.
- Onde colocar: No canto da sala que recebe bastante claridade natural, roubando a cena como a planta principal do ambiente.
5. Bromélias de sombra (Nidularium e Vriesea)
O toque de cor que não precisa de flor gringa! Muitas das nossas bromélias nativas de interior mudam a cor do centro de suas folhas para tons vibrantes de rosa, vermelho e amarelo.
- Onde colocar: Em mesas laterais ou presas em pedaços de tronco na parede (já que são epífitas e amam ficar “penduradas” nas árvores da mata).
Perguntas frequentes (FAQ)
Posso misturar plantas nativas e exóticas dentro de casa?
Sim, como a gente já falou aqui, uma planta exótica dentro de um vaso na sua sala de estar não oferece risco de invasão para a floresta (desde que você não jogue as podas dela no lixo ou na rua de forma incorreta).
O objetivo da Brasilidade Botânica não é jogar as suas plantas gringas fora, mas sim começar a priorizar e valorizar as nossas nativas nas próximas compras!
Plantas nativas dão mais trabalho para cuidar?
Na verdade, as nativas costumam dar muito menos trabalho! Como elas evoluíram no nosso clima, elas já estão adaptadas à nossa temperatura e umidade natural.
O grande segredo é apenas entender de qual extrato da floresta ela veio: plantas de “sub-bosque” (que vivem no chão da mata, embaixo de outras árvores) amam sombra e umidade, sendo perfeitas para dentro de casa.
A Brasilidade Botânica serve para áreas externas também?
Serve e é lá que ela brilha ainda mais! Transportar o Brasil botânico para o quintal significa plantar espécies como a Pitanga, Jabuticaba, Ipê, Guaimbê e Palmito-juçara.
Ao fazer isso no chão (e não só em vasos), você não apenas decora, mas cria um “restaurante” a céu aberto para atrair nossos passarinhos e abelhas!
Minha conclusão de quem respira o verde brasileiro
Quando decidimos colocar um Pacová ou uma Maranta na nossa sala, a decoração deixa de ser apenas sobre estética e passa a ser sobre pertencimento.
É a gente dizendo: “Olha que espetáculo é a nossa Mata Atlântica! Olha que obra de arte o nosso Cerrado sabe fazer!”. Afinal, a sua casa reflete os seus valores.
Que tal, na próxima vez que for comprar uma planta para enfeitar a mesa, você trazer um pedacinho da nossa própria identidade botânica para dentro de casa?
Bora decolonizar os nossos vasos?


