Quando a gente escuta a expressão “transporte sustentável”, qual é a primeira imagem que vem à sua cabeça? Provavelmente, um carro elétrico super moderno, um ônibus silencioso a bateria ou uma frota de bicicletas, né?
Tudo isso é incrível e super necessário. Mas, cá entre nós, de que adianta a gente ter o ônibus elétrico mais tecnológico do mundo se o ponto de ônibus fica no meio de um deserto de asfalto fervente?
Hoje, na nossa seção de Cuidados e SOS, a gente vai conversar sobre o pilar invisível (e verdinho!) da mobilidade urbana. Porque, para as pessoas conseguirem ir e vir de um jeito que faça bem para o planeta, a gente precisa olhar para o chão que a gente pisa e para a sombra que nos cobre.
Muito além do motor: a importância da infraestrutura verde
Pensar em meios de transporte sustentáveis é pensar na jornada inteira. O impacto ambiental dos transportes não se resume apenas à fumaça que sai (ou deixa de sair) do escapamento. Envolve também o gasto de energia, a ocupação do espaço e o bem-estar de quem está se deslocando.
Se a gente quer que mais pessoas usem a bicicleta ou caminhem para o trabalho, a cidade precisa ser um convite, e não um forno. E hoje em dia como está essa situação?
Se uma calçada sem árvores no meio-dia de janeiro é hostil, ninguém quer (ou deveria ter que) caminhar sob um sol escaldante respirando ar seco. É aqui que as nossas plantas nativas entram em ação para salvar o dia!
O conforto térmico e as cidades resilientes
As árvores podem ser os nossos “ar-condicionados” naturais e gratuitos. Uma rua bem arborizada, com copas largas de espécies nativas (como a sibipiruna, o pau-ferro ou os nossos amados ipês), pode diminuir a temperatura local em vários graus.
Esse conforto térmico é a chave para a verdadeira mobilidade urbana sustentável, pois quando a rua é fresca e agradável, caminhar até a padaria ou pedalar até o trabalho deixa de ser um sacrifício suado e passa a ser um passeio.
Além disso, as árvores de grande porte absorvem a água da chuva (evitando enchentes, o que é essencial para termos cidades resilientes), filtram a poluição dos carros e ainda servem de corredor ecológico para os passarinhos e polinizadores. É um sistema perfeito!
O asfalto que nos afasta da terra
Toda vez que eu volto das minhas caminhadas na beira do rio, onde o chão de terra é macio e úmido, e piso de volta no asfalto quente da rua de casa, eu lembro muito de um mestre gigante do nosso tempo: Ailton Krenak.
Em suas reflexões, Krenak nos lembra de como a civilização moderna construiu camadas e mais camadas de concreto entre a sola do nosso pé e a terra. A gente pavimentou tudo, impermeabilizou o solo e se isolou da natureza, como se não fôssemos parte dela.
Essa “desconexão” reflete muito em como a gente se move pela cidade: trancados em caixas de metal em vez de sentir o vento no rosto.
(Dica: se você ainda não leu a obra do Krenak, recomendo do fundo do meu coraçãozinho que faça esse favor a si! Eu recomendo demais! E comprando por esse link, você apoia o projeto Terra na Tela a continuar plantando ideias por aí!).
Como ajudar a construir esse caminho?
Transporte sustentável de verdade é aquele que regenera a cidade enquanto a gente se move. E todo mundo pode ajudar a pavimentar (ou melhor, a despavimentar) esse caminho:
- Plante (ou cobre do poder público) calçadas verdes: se você tem espaço na calçada, plante uma árvore nativa! Consulte o guia de arborização da sua cidade para escolher a espécie certa e não quebrar a calçada no futuro.
- Apoie o transporte ativo: sempre que for seguro, agradável e possível, troque o carro pela caminhada ou pela bicicleta.
- Valorize quem cuida do solo: apoie projetos e políticas públicas que exijam mais parques, corredores verdes e menos áreas cimentadas.
A mobilidade do futuro não é feita só de baterias de lítio, também é feita de raízes, folhas e muita sombra fresca.Bora caminhar juntas? Como é a calçada da sua rua? Tem espaço para uma nativa dar aquela sombra salvadora? Conta pra mim!









